Archive for fevereiro \24\UTC 2010

h1

Eplepsia x narcolepsia

24/02/2010

El Kabong voltou. Mas não em triunfo. Mas em profundo estado de tristeza e com uma sensação de incapacidade total.

Ontem, às 14h55 eu cometi um erro que me atormentou a noite toda.

Passava pela Avenida Rubem Berta, bem em frente ao clube Sirio Libanês. Calor insuportável em São Paulo. E vi um carroceiro (em Santos chamam de carrinheiro), aqueles homens que carregam uma carrocinha cheia de papelão que será levado para a reciclagem. Ele estava deitado no chão , próximo à guia da calçada.

Passei por ele e tive a impressão que ele estava tremendo. O trânsito parou. Olhei pelo retrovisor lateral e tive a impressão que ele estava tendo um ataque eplético. Olhei pra trás e tive certeza.

Ai vem meu erro. O semáforo da esquina com a Av. Indianópolis abriu e segui com o trânsito. Mas saquei o celular e liguei para o 190. Relatei o ocorrido e fui orientado a ligar 192. Até ai, tudo bem. Liguei 192, confirmei o número do celular e dei meu nome. Relatei a situação.

192: “O senhor está ao lado do paciente, senhor?”, veio a voz impassível – e fanha (por que sempre fanha?) da atendente do outro lado.

Eu: “Não, eu estou no carro. passei por ele e vi o ataque”.

192: “Para abrir a ocorrência é preciso estar junto do paciente, para confirmar seu nome e outros dados”.

Eu: “Querida (sim, fiquei instantaneamente enfurecido ), mesmo que eu estivesse lá, eu não conheço o homem. Não poderia confirmar nenhum dado”

192: “Nesse caso, o procedimento me impede de abrir uma ocorrência”

Notem: seguir o procedimento é muito mais importante que ajudar um homem tendo um ataque eplético. Ele precisava de ajuda, mas o 192 não podia romper o procedimento.

Eu deveria ter parado. O meu erro foi confiar que o poder público fosse ajudar o homem. Eu foi acomodado. Estava dentro do meu carro e achei que poderia terceirizar a ajuda. Não poderia.

Nunca vou saber se alguém atrás de mim parou para socorrê-lo. Tomara que uma viatura da polícia tenha passado. Ou um médico. Ou ainda alguém que já sabia que o 192 não resolveria e tenha decidido parar. Coisa que eu não fiz. E me arrependo.