Archive for setembro \29\UTC 2008

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Ê Ferrari

29/09/2008

A propósito:

Se fosse a Copersucar (antiga equipe brasileira de F-1) a cometer o erro primário de mandar o piloto largar antes de a bomba de gasolina ser desconectada do carro,l o mundo estaria tirando sarro dos pobres brasileiros.

Só que foi a Ferrari, A marca de automóveis preferida de 10 entre 10 milionários (exceto na Inglaterra, com suas idiossincrasias). Nesse caso, há críticas, mas não a humilhação.

A Ferrari pecou pelo excesso. Tanto que voltou a usar o tal pirulito para indicar ao piloto o momento de sair dos boxes no meio da corrida.

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Conversa de loucos

29/09/2008

Diferentemente do que o Grupo Bandeirantes e a Rede Record falam, o debate não é a melhor maneira de ouvir as idéias dos candidatos. Não por culpa dos grupos de comunicação, cuja iniciativa é louvável, mas por culpa dos próprios candidatos.

O debate virou um grande papo de loucos. Exceção feita a três candidatos chamados nanicos – candidatos Renato Reichman (PMN), Ivan Valente (PSOL) e Soninha (PPS) –, os demais simplesmente não respondem às perguntas feitas, apenas fingem que respondem, falando de qualquer outra coisa, ainda que relacionada ao tema básico, seja ele saúde, educação ou transporte.

Também é visto um grande desperdício de tempo que deveria ser usado para propostas na tentativa de descredenciar o outro candidato.

Pois bem, um deles – Marta, Kassab ou Alckimin – será o prefeito de São Paulo. Nenhum deles cumprirá todas as suas promessas.

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Dia Mundial sem Carro

23/09/2008

Ontem foi o Dia Mundial sem Carro. Mas não é sobre ele que quero falar, mas sobre meu carro novo.

Antes que me chamem de arrogante e exibido, deixo claro que não vou revelar qual é o carro. Não é um dos 30 mais caros do mercado, embora não seja um dos 30 mais baratos. É um bom carro, que cabe no meu orçamento e me deixa satisfeito.

A graça da história é como eu me perco com algumas facilidades excessivas. Lógico que faço suco de laranja com um espremedor, uso escadas rolantes, celular e computador. Contudo, o excesso de zelo de um garçom me irrita, por exemplo, me irrita. Não precisa puxar minha cadeira, não precisa tirar mu prato no exato segundo que eu termino de comer.

E daí com meu carro? Daí que meu carro agora tem vidro elétrico. È uma coisa velha, mas é a primeira vez que tenho um desses. E todos os dias, rigorosamente, eu entro no carro, ponho o cinto, dou partida, e ESTICO O BRAÇO PROCURANDO A MANIVELA PARA ABRIR O VIDRO DA JANELA.

Vista de fora, a cena deve ser patética. Mas menos patética que a do retrovisor direito, na diração do qual  eu ME CURVO PARA AJUSTAR, só me dando conta que ele é elétrico quando não vejo o alavanquinha do acerto.

Ai ai ai. E eu que achava um absurdo minha mãe não saber programar a gravação do video cassete.

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POR QUE É BOM SER HOMEM?

19/09/2008

Eu gosto de ser homem. Além do fato óbvio que é a facilidade de dar uma mijadinha em qualquer canto (o que evita filas em banheiros), alguns outros detalhes “tolos” fazem a diferença:

Uma viagem de cinco dias requer apenas uma mochila:

Logo não precisamos despachar uma mochila no aeroporto, o que nos permite chegar meia hora nates do embarque.

Conversas telefônicas acabam em 30 segundos ou menos:

Cara 1: – Fala Viado!
Cara 2: – E ai cuzão?
Cara 1: – Vai na balada do Júnior?
Cara 2: – Se pans, colo lá. Quem vai?
Cara 1: – Sei lá. Eu to saindo agora.
Cara 2: – Belê. Te vejo lá.
Cara 1:- Falou!

Você não tem que carregar uma bolsa cheia de tralha pra cima e pra baixo:

Carteira e celular. Ponto.

Você pode ir ao banheiro sem um grupo de apoio:

O que aliás, é preferível. Afinal, você não quer ser visto entrando com um parzinho num ambiente íntimo, quer?

Fazer sexo não deixa você preocupado com sua reputação:

A quantidade é o que vale.

Se alguém esquece de convidar você para alguma coisa, é apenas um esquecimento, e não evidência de que odeiam você:

Além do mais, e daí? É só aparecer lá em pronto.

Se você tem 34 anos e é solteiro, ninguém liga:

Pode até ser alguma tia sua ache que você é gay. mas, sinceramente, você liga? Se sim, então você realmente é gay.

Você está se lixando se alguém percebe ou não que você cortou o cabelo:

Até porque você só “passa a máquina do lado e rebate em cima”. Quinze minutos e R$ 8.

Se você está assistindo a um jogo com um amigo seu e ele está no mais absoluto silêncio por 45 minutos, é porque o jogo está bom, e não porque ele está de mal com você:

Dúvidas?

Ninguém fica olhando para seu peito enquanto conversa:

Mulheres, poucos elogios são tão sinceros.

Você tem um relacionamento absolutamente normal com sua mãe:

E se você lhe disser que a comida ficou ruim, ela não vai tornar a situação uma tragédia grega; ela vai mudar a receita. E pronto.

Se você diz que vai ligar para um amigo e não liga, ele não fica choramingando e os outros não formam um comitê para solucionar o problema:

Como assim “problema”?

Você não tem que se lembrar dos aniversários de casamento e nascimento de todo mundo:

Eles que ponham no Orkut

Quando se encontra com os amigos, você sabe que não vai enfrentar a frase: “Então, está notando algo diferente em mim?”

O cara que pergunta isso virou bicha. Isso é o algo diferente.

Seus amigos não o obrigam a falar sem ter sobre o que falar:

E quando o assunto acaba, basta reciclar temas como futebol, carro ou mulheres.

Você se diverte com listas politicamente incorretas na internet que deixam elas espumando de raiva:

E mais: quando elas fazem uma lista esculhambando os homens, você também se diverte.

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Quando a pegadinha dá errado

17/09/2008

Sem mais…

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A estrada – parte 2

15/09/2008

Leia antes o post A Estrada – parte 1

Obrigados a contribuir com a estrada, cada qual arrumou qualquer material para colocar na obra. Entre pedras porosas, que deixariam passar água para a base da estrada, e areia de má qualidade, que não ajudaria a fortalecer a união das pedras.

Num determinado momento, a obra recebeu até mesmo massa de pão, dos padeiros. Em conjunto, eles trouxeram quase 500 quilos de massa.

“Vocês não podem nos dar massa de pão, não ajuda em nada. Não a usaremos” – bradou o chefe dos engenheiros.

“Ah, vão usar sim, ou reclamarei com o Conselho de Sábios. Nós poderíamos contribuir de várias maneiras, mas fomos obrigados a ceder material. É o que temos a oferecer, porque é o que sabemos fazer. Trate de usar”.

O Conselho de Sábios foi comunicado sobre o problema, e se viu obrigado a aceitar a argumentação dos padeiros. “Ainda que de forma obrigatória, nos lhes concedemos o direito de ajudar. Eles têm o direito de dar massa de pão, e nós somos obrigados a usá-la”, disse o mais sábio.

Logo os ferreiros seguiram a mesma lógica e cederam um tonelada de ferraduras usadas. Os alfaiates deram retalhos velhos de roupa. Os agricultores deram adubo.

Sob ordens do Conselho, os engenheiros usaram todos os materiais de péssima qualidade para obra. A estrada saiu e é utilizada, mas sua qualidade ficou aquém daquela que poderia ter sido, caso padeiros, alfaiates e ferreiros – que queriam ajudar, mas de outras formas – não fossem obrigados a ceder material.

A moral da história foi compreendida?

Simples; há pessoas – muitas delas de ótima índole – que não querem (ou não sabem como) votar. Que lhes seja concedido o direito de votar, mas que não sejam obrigadas a fazer isso, sob o risco de a estrada ser construída com materiais de péssima qualidade.

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Assessores de imprensa modernos: se façam de loucos

03/09/2008

Licença para um post longuíssimo:

Evidentemente o título é uma ironia.

Ontem à noite acompanhei uma interessante palestra na universidade Anhembi-Morumbi, onde faço pós-graduação.

Devo agradecer a universidade, pois foi uma aula do que NÃO SE DEVE FAZER quando se atua como assessor de imprensa.

O case em debate, apresentado pela agência FSB Comunicações, e mostrou “o trabalho feito para o Governo do Piauí quando do episódio em que o Estado foi depreciado em declarações de um empresário”.

O empresário em questão é Paulo Zottolo, presidente da Phillips, que deu uma infeliz e absurda declaração ao jornal Valor Econômico de 15 de agosto de 2007, dendo uma entrevista como integrante do movimento “Cansei” (lembra?).

“Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir ninguém vai ficar chateado”.

Mandou muito mal.

O Estado do Piauí era, na época, cliente da agência. Deve se louvar a FSB por ter percebido a declaração, pois nenhum veículo a repercutiu até que a nota oficial do governador Wellington Muniz fosse divulgada.

Uma das estratégias também foi dar uma entrevista exclusiva do governador a jornalista Monica Bergamo, da Folha de S.Paulo

Mandaram muito bem. Só que, a partir daí, a coisa saiu do controle.

O que se viu foi uma verdadeira campanha política, em que a construção de uma imagem positiva do Piauí foi baseada em ataques ao executivo. Políticos, como sempre, se aproveitaram e esbanjaram no populismo, aplaudidos por uma população que, ofendida, queimava televisores Philips em praça pública e ameaçava o Sr. Zottolo via internet. Cenas de guerra civil.

A agência, em vez de acalmar a situação, e a partir daí trabalhar uma agenda positiva do Piauí baseada em coisas boas do estado (turismo, gastronomia, lugares históricos, folclore, agricultura, etc), a agência continuou a explorar o assunto para aumentar a meta de centímetros e minutos de exposição do cliente na média.

Não me lembro dos minutos, mas foram 25 mil centímetros sobre o assunto. Infelizmente não sei quantos deles foram dedicados a ofensa do executivo e quantos foram dedicados a melhor escola do Brasil, eleita dois anos consecutivos pelo Enem. Vi uma matéria na revista Viagem e Turismo e outra – pasmem – na revista Piauí (o site desta, por sinal, aparece antes que o do Governo do referido estado quando se digita “Piauí” no Google).

Voltando á palestra. A palestrante contava como conseguiu capitalizar a declaração e ria, ironicamente. “Ele fizeram uma comunidade no Orkut “Eu vou matar o presidente da Phillips”. Não é bonitinho?

Tão bonitinho quanto a comunidade “Eu vou matar Bambis”, que a torcida do Corinthians poderia vir a fazer para a torcida do São Paulo.

O pior, contudo, veio no fim da palestra. Alguém perguntou:

“Quando você deu a exclusividade para a Monica Bergamo, algum outro jornalista pediu entrevista com o governador?”

“Sim, pediram. Mas a gente não passou”

“E o que você disse a eles”.

“Olha, o governador estava alterado. Puto mesmo. Achamos melhor ele não falar com mais ninguém e…”

“Certo, mas o que você falou para os jornalistas que pediram a entrevista”.

“Ah, eu dei uma de louca”

Levantei e fui embora. A falta de ética e de respeito havia chegado ao limite. Depois fui saber que a coisa era pior, pois ela perguntou para a coordenadora do curso se eu era da Philips. Ou seja, para ela, o único motivo da minha fúria era se eu fosse da Phillips. Em tempo algum ela imaginou que eu pudesse ter ficado furioso com a falta de ética.

Ética, como dizia Claudio Abramo, é uma só para todos. Não existe uma ética para o marceneiro, uma para o bombeiro e outra para o jornalista.

Para ela, existe uma para o assessor de imprensa. E o que vale é o resultado.

A humanidade vai longe.