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Liberdade de expressão x Isenção de responsabilidade

28/09/2010

Não se confunda liberdade de expressão com isenção de responsabilidade.

Todo jornalista que estudou e fez por merecer seu diploma sabe muito bem que deve se responsabilizar – juridicamente, inclusive, por informações mentirosas ou que omitem partes dos fatos.

Essa “responsabilização” é uma das joias mais preciosas da democracia. Então que não se vomite discursos rasos e prontos.

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Nua e crua

07/08/2010

Eu sou uma pessoa legal. Sob a Maioria dos aspectos. Mas estou começando a pensar que ser uma pessoa legal sob a maioria dos aspectos não conta muito, caso a pessoa seja ruim sob um aspecto.

Nick Hornby, Como ser legal.

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A treta do Resenha em 6

05/08/2010

Com alguma sorte, alguém chegou aqui e vai poder ler minha explicação.

Alguns devem saber que sou administrador do Resenha em 6 desde 2007. E, ontem, eu me posicionei contrariamente a ALGUNS trechos de ALGUMAS resenhas da séria “Morre Logo, Caralho”, que ainda estão aqui: http://www.morfina.com.br/tags/tv/

Especificamente, achei errado chamar o Boris Casoy de bicha velha, achei errado dizer que o Gilberto Gil deveria ter sido metralhado pelos militares e ainda houve uma terceira piada, essa com a Ana Maria Braga, que nem vou reproduzir.

Fora isso, em MAIS PORRA NENHUMA eu fui contra a essas Resenhas. Nem pedi para tirar do ar. Tudo que eu disse para os caras é eu estava deixando o Resenha, por que não concordava com esses trechos. E, como o incomodado era eu, tava fora.

Uma luxação não é fratura exposta. Uma discordância não é uma censura. Nunca fui a favor do politicamente correto e muito menos contra o humor nas resenhas. Só não acho que seja certo ofender ninguém, mesmo que mereça. Até quando eu faço isso me sinto mal depois.

Sou muito brother do Quatrocci e do Jubash, e isso não mudou. Conheço os caras o suficiente para saber que estavam fazendo piadas, jamais falando sério. Apenas não concordei com as piadas. E especificamente TRÊS piadas que era TRECHOS de TRÊS resenhas.

Agora, se você é um dos babacas anônimos que classificaram minha postura como sendo “uma desonra às minhas calças” ou “uma afronta aos meus testículos”, nem perco meu tempo debatendo com você, porque sua capacidade de compreensão está muito aquém da minha. Faço apenas uma tentativa: ser homem é um pouco mais do que isso.

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Detonando mitos sobre cerveja

28/07/2010

As irlandesas são minhas favoritas


CERVEJA PODE MATAR?
Sim. Sobretudo se o ser humano se deixar atingir por uma caixa de cerveja com garrafas cheias. Sabe-se que, anos atrás, um rapaz, ao passar pela rua, foi atingido por 1 caixa de cerveja que caiu de um caminhão, tendo morte instantânea. Além disso, casos de enfarto do miocárdio em idosos têm sido associados às propagandas de cervejas com modelos esculturais.

O USO CONTINUO DA CERVEJA PODE LEVAR AO USO DE DROGAS MAIS PESADAS?
Não, a cerveja é mais pesada – uma garrafa de cerveja pesa cerca de 900 gramas.

A CERVEJA CAUSA DEPENDÊNCIA PSICOLÓGICA?
Não. 89,7% dos psicólogos e psicanalistas entrevistados preferem uísque.

MULHERES GRÁVIDAS PODEM BEBER SEM RISCO?
Sim. Está provado que nas blitzen a polícia nunca pede o teste do bafômetro para gestantes… E se elas tiverem que fazer o teste de andar em linha reta, sempre podem atribuir o desequilíbrio ao peso da barriga.

CERVEJA PODE DIMINUIR OS REFLEXOS DOS MOTORISTAS?
Não. Uma experiência foi feita c/ mais de 500 motoristas: foi dada 1 caixa de cerveja para cada um, e, em seguida, colocaram um por um diante de um espelho. Em nenhum dos casos, os reflexos foram alterados.

EXISTE ALGUMA RELAÇÃO ENTRE BEBIDA E ENVELHECIMENTO?
Sim. A bebida envelhece muito rápido. Para se ter uma idéia, se você deixar uma garrafa ou lata de cerveja aberta ela perderá o seu sabor em aproximadamente quinze minutos.

A CERVEJA ATRAPALHA NO RENDIMENTO ESCOLAR?
Não, pelo contrário – alguns donos de faculdade estão aumentando suas rendas com a venda de cerveja nas cantinas.

O QUE FAZ COM QUE A BEBIDA CHEGUE AOS ADOLESCENTES?
Inúmeras pesquisas vêm sendo feitas por laboratórios de renome. Todas indicam, em primeiríssimo lugar, o garçom.

A CERVEJA CAUSA DIMINUIÇÃO DA MEMÓRIA?
Que eu me lembre, não! E tem gente que ainda discorda !!!!!

(VIA Silvia Wargafitg)

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Tirei o policial?

05/07/2010

Fui parado numa blitze (UPDATE: blitze é o cacete. É blitz, porque era uma só. Blitze é plural. Fui devidamente informado pela Raq Paulino!) policial outro dia.

Não temia por nada. Nem por documentação, nem por bafômetro. Inclusive fiquei torcendo para pedirem para eu soprar a bagaça, porque eu estava mais sem álcool que tanque de Golzinho batedeira branco numa manhã de segunda-feira.

O policial foi extremamente educado:
– Boa noite, senhor.

Eu: Boa noite

Ele: Os documentos, sim?

Eu: Claro (entreguei)

Ele: O senhor está vindo de onde (enquanto passava os documentos para o parceiro”

Eu: Do trabalho.

Ele: Trabalho? E você faz o que?

Eu: Jornalista (na real eu quis responder especialista em comunicação corporativa e editor de relatórios de sustentabilidade, mas achei que soaria falso)

Ele: De madrugada sempre é enfermeiro ou jornalista.

Eu : eh eh eh

Corria tudo bem, eu estava prestes a ser liberado sem muito problema, até que ele me perguntou.
– O carro é seu?

Eu respondi a verdade:
– Ainda não. É da financeira. Estou pagando por ele ainda.

Enquanto ele me revistava, ponderei que o melhor sempre é uma resposta simples, ainda que não tão precisa. Uma resposta profunda pode soar uma zombaria e causar antipatia imediata em quem já estava simpatizando com você.

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Eu mereço

03/07/2010

Recebo regularmente  uma newsletter chamada Expression Layouts.

A edição que recebi hoje trazia o seguinte título:

” Fernando Do you have World Cup Fever? I Do!”

Eis que abro e vejo a imagem reproduzida aqui abaixo.

Valeu Dunga. Valeu Felipe Melo.

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Por que Dunga é um cretino

02/07/2010

Eu sempre tive o maior respeito pelo Dunga volante. Carregador de piano, raçudo, cheio de fôlego.

Jogar com raça e determinação, mesmo dentro de limitações técnicas, é fundamental para um time, pois só assim os talentosos tem espaço para brilhar e decidir as partidas.

Mas a questão está na palavra time.

Futebol não é tênis nem natação nem atletismo (dã). Futebol se joga com 11. O Roger Federer, o Michael Phelps e o Usain Bolt não dependem de ninguém para vencer. Os adversário rezam por um mau dia desses gênios para ter uma chance.

Futebol não. Futebol são 11. Mesmo em um dia iluminado, o melhor dos craques tem pouca chance se seus companheiros não ajudarem.

Futebol precisa do goleiro, do zagueiro forte, do zagueiro técnico. Do lateral marcador e do lateral veloz. Do volante raçudo, do craque, do atacante driblador e do atacante trombador. Precisa mesclar.

O comprometimento por si só não adianta.

Dunga levou para a Copa 23 jogadores que, tenho certeza, são pessoas de ótimo caráter. Um ou outro deve tomar uma cerveja, os outros bebem leitinho e dormem cedo.

Diferente da esbórnia de 2006, com os baladeiros e farristas.

Perdemos as duas Copas.

Por quê? Porque dentro de seu pensamento tacanho, Dunga levou sua “família” e esqueceu de pensar que se o time precisasse de alguém para mudar o jogo, esse alguém tinha que vir do banco.

Em Copa do mundo, so reservas não podem ser meros reservas. Reserva de Seleção tem que ser titular de qualquer time.

Mas não tinha ninguém no banco. Grafite, Josué, Julio Batista, Gilberto não são homens para nos salvar – são carregadores de piano, são jogadores de suporte. Importante, mas se (e somente se) houver opções de técnica e habilidade.

Dunga foi soberbo e arrogante. Dunga foi um cretino. Levou aqueles que estiveram do lado dele. Ganhou tudo que PODIA.

Exceto, claro, os dois que DEVERIA: a Olimpíada e a Copa do Mundo.

Futebol é uma coisa desimportante, exceto durante um mês de quatro em quatro anos, quando se torna a coisa mais importante de todas. Tanto que todos nós viramos técnicos.
Mas futebol é um pouco mais complexo do que sentar na arquibancada ou em frente a TV e dar opiniões. Ensaiaram até ovacionar Dunga porque ele xingou um jornalista da Rede Globo. E usaram a lógico inimigo da Rede Globo é meu amigo. Em seu pior momento, Dunga virou herói dos técnicos de ocasião.

Futebol precisa ser vivido. Na Copa ou na pelada de segunda-feira, o cara do seu lado ali no vestiário vira seu maior parceiro. Você tem que jogar por e ele por você. Quem nunca vivenciou isso vai dar opiniões aparentemente coerentes, mas sem alma, sem conhecimento de causa. É tipo dar um diagnóstico de doença aprendendo os sintomas na internet.

Se você tiver só raça, ele tem ser o craque. Se você é craque, tem que ter um raçudo do seu lado. Time sem equilíbrio não vence, não sai das arapucas, como a que a Holanda nos colocou hoje.

Eu critiquei Dunga mesmo, porque eu temia exatamente por aquilo que aconteceu hoje: o time não soube jogar diferente. Seguiu uma equação matemática. Foi um time de exatas. Faltou um pouco de humanas. De criatividade, de talento.

Eu já sabia? Não. Eu tinha certeza? Não. Mas eu sentia que havia um espaço para opções que poderiam nos tirar de determinadas sinucas de bico. Bastavam dois, três jogadores diferentes. Ronaldinho Gaúcho? Ganso? Pato? Ernanes? Opções havia.

Muita gente da imprensa fala bosta e é cagão mesmo. Mas muita gente lá temia por uma necessidade de mudar o jogo também.

Só não dá pra falar que Dunga fingiu que não era com ele porque Dunga se mostrou um tremendo de um mal educado e antipático. Por essa postura ego-centrista, Dunga merecer perder.

Só que levou junto com ele 190 milhões de brasileiros, inclusive os que o apoiaram.

Tudo mundo perdeu. Assim como tudo mundo teria ganho se ele fosse um ser humano um pouco – um poquinho só – mais maleável.